“Toda palavra chama outra palavra. Toda palavra é um ímã verbal, um pólo de atração variável. Que inaugura sempre novas constelações.” (in. Poesia Vertical, Campo das letras, Porto, pg. 29).
quarta-feira, 17 de março de 2021
segunda-feira, 15 de março de 2021
PET Volume 01 - 2021 - Semana 1 - 9º ano
Semana 1: Modalização
PRÁTICAS DE LINGUAGEM: Análise linguística/Semiótica.
OBJETO DE CONHECIMENTO: Modalização
HABILIDADE: (EF89LP16) Analisar a modalização realizada em textos noticiosos e argumentativos, por meio das modalidades apreciativas, viabilizadas por classes e estruturas gramaticais como adjetivos, locuções adjetivas, advérbios, locuções adverbiais, orações adjetivas e adverbiais, orações relativas restritivas e explicativas etc., de maneira a perceber a apreciação ideológica sobre os fatos noticiados ou as posições implícitas ou assumidas.
CONTEÚDOS RELACIONADOS: Modalização em textos jornalísticos narrativos e argumentativos. Isso implica: (a) o reconhecimento dos recursos linguísticos empregados; (b) a compreensão dos efeitos de sentido produzidos por meio desses recursos, assim como de seu enquadramento ideológico; (c) a análise da coerência desses efeitos em relação às intenções pretendidas. Classes e estruturas gramaticais como adjetivos, locuções adjetivas, advérbios, locuções adverbiais, orações adjetivas e adverbiais, orações relativas restritivas e explicativas.
ATIVIDADES - SEMANA 1
Leia o relato de viagem abaixo para responder às questões de 1 a 5.Bonjour, L’Amour
Martha Medeiros
Próxima parada: Barcelona. Pegamos um voo e tudo voltou a dar certo, estávamos em plena lua de mel. Ao aterrissar, fomos à esteira das bagagens e ficamos esperando. Esperando. Esperando. E esperando estaríamos até hoje. Nada das nossas malas. Registramos o sumiço e nos despacharam para o hotel: “Quando encontrarmos, se encontrarmos, serão entregues lá”, foi o que nos disseram - em catalão. Que ótimo. Eu não tinha nenhum kit de primeiros socorros na mochila.
Passamos o dia perambulando pelas Ramblas com a roupa do corpo. Compramos escova de dente, pasta, desodorante e umas camisetas para quebrar o galho, caso o pior acontecesse. Voltamos à tardinha para o hotel e nada ainda das malas. Antes de sair para jantar com a mesma roupa imunda, aleluia, elas chegaram.
É uma experiência que nos faz avaliar o que realmente tem importância na vida. Eu não sofria pelo vestido que talvez nunca mais visse ou pelo sapato que havia usado só uma vez, e sim pelo sumiço de uma caderneta de anotações onde já havia registrado boa parte da viagem. E lamentava nunca mais colocar no dedo um anel pelo qual joalheiro nenhum daria um centavo, mas que para mim valia como se fosse um diamante da Tiffany1 . O anel havia sido da minha avó. Mas recuperei não só vestidos e sapatos, como o anel, a caderneta e o que mais a mala continha: tudo parte da nossa memória afetiva, que, no final das contas, é o que mais tememos perder pelo caminho. Depois de curtir o que Barcelona tinha para ser curtido, fomos de trem até Montpellier, na França, e lá alugamos um carro. Finalmente, o filé mignon da viagem. Adoro percorrer estradas desconhecidas e não saber onde vou dormir à noite. Nesse primeiro dia motorizados, saímos sem rumo e, depois de muito rodar, acabamos em Ramatuelle, um lugarejo escondido e charmoso num ponto alto da costa azul. Percorremos a pé suas ruelas, tomamos vinho e tentamos encontrar uma pousadinha para ficar por lá mesmo, mas estava tudo lotado: a cidade era mínima, porém requisitada. Não nos restou outra alternativa a não ser voltar para o carro e seguir até Saint-Tropez. Vida dura.
Chegamos tarde e, por conta do cansaço, nos hospedamos no primeiro hotel que vimos, sem reparar que era mega luxuoso. Foi o que bastou para meu namorado se emburrar. Tinha cabimento gastar os tubos numa única noite? Não tinha. Mas vá explicar isso para uma mulher despencando de sono. No dia (50) seguinte, Saint-Tropez nos deu as boas-vindas e desemburrou qualquer semblante. Dia de sol tropical. Mergulho. Caminhadas. Visual. Passamos um dia de magnatas e no fim da tarde pegamos a estrada de novo. Quando o sol começou a se pôr, estávamos na Route des Calanques, entre St. Raphael e Cannes, onde encontramos um casarão na beira da estrada, de frente para uma baía deslumbrante. Chamava-se L’ Auberge Blanche, mas duvido que se encontre alguma referência no Google. Estacionamos e batemos à porta. Veio nos atender uma senhora de uns bem vividos 130 anos. Ofereceu para nós seu melhor quarto, no terceiro andar, milhões de metros quadrados de frente para o mar. Poderíamos ter dado uma festa de réveillon dentro do aposento.

FONTE: MEDEIROS, Martha. Um lugar na janela: relatos de viagem. Porto Alegre: L&PM, 2012. Edição e-book. 1 Tiffany & Co. é uma famosa joalheria dos Estados Unidos com quase dois séculos de existência. 2 Rambla é um tipo de rua característica da Espanha. Geralmente, larga, arborizada e com intensa movimentação de pedestres, onde se encontram cafés, restaurantes, floriculturas, livrarias, artistas se apresentando ao ar livre, além de diversas lojas.
1. A modalização pode ser compreendida como uma forma de o enunciador expressar sua atitude em relação ao que ele mesmo enuncia. No trecho “É uma experiência que nos faz avaliar o que realmente tem importância na vida”, por exemplo, o advérbio “realmente” mostra que a enunciadora insiste sobre a validade do que acabou de dizer. Localize outros exemplos de palavras e locuções que, em sua opinião, são empregadas na modalização, destacando os efeitos de sentido que provocam.
2. Os advérbios e locuções adverbiais têm papel fundamental nos relatos de viagem, pois além da modalização, essas palavras e locuções são responsáveis pela expressão das circunstâncias. Localize advérbios e locuções adverbiais no texto lido empregados para expressar circunstâncias.
3. Em “Finalmente, o filé mignon da viagem”, que figura de linguagem constitui os termos em destaque? Qual é o efeito de sentido que provoca?
4. Em “Não nos restou outra alternativa a não ser voltar para o carro e seguir até Saint-Tropez. Vida dura”, considerando o contexto do relato, que efeito de sentido causa o uso da expressão “vida dura”?
5. No trecho “Veio nos atender uma senhora de uns bem vividos 130 anos. Ofereceu para nós o seu melhor quarto, no terceiro andar, milhões de metros quadrados de frente para o mar. Poderíamos ter dado uma festa de réveillon dentro do aposento”, é incorreto afirmar que:
a) Há exagero na descrição ao falar da idade da senhora, do tamanho do quarto e ao afirmar que é possível comemorar nele o réveillon (que, de modo geral, conota um evento grandioso, com muitas pessoas reunidas).
b) A senhora devia ter bastante idade, o quarto devia ser bem grande, mas não literalmente nas proporções informadas.
c) O exagero empregado pela enunciadora constitui uma figura de linguagem chamada hipérbole.
d) O modo como a enunciadora faz sua descrição pode ser definida como aquela que representa a realidade tal qual ela é, ou seja, sem a influência dos sentimentos ou pensamentos.
PET Volume 01 - 2021 - 8º ano - Semana 01
Semana 1: Resenha crítica
PRÁTICAS DE LEITURA: Leitura.
OBJETO(S) DE CONHECIMENTO: Estratégia de leitura: identificação de teses e argumentos. Apreciação e réplica.
HABILIDADE(S): (EF67LP05) Identificar e avaliar teses/opiniões/posicionamentos explícitos e argumentos em textos argumentativos (carta de leitor, comentário, artigo de opinião, resenha crítica etc.), manifestando concordância ou discordância.
CONTEÚDOS RELACIONADOS: Teses e opiniões em textos argumentativos: resenha crítica e comentário. Concordância ou discordância dos posicionamentos explícitos e argumentos. Leitura de carta de leitor. Leitura de artigo de opinião. Leitura de resenha crítica.

Atividades
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 5.

Emicida: AmarElo – É Tudo Pra Ontem (Netflix, 2020): imprescindível
Documentário estrelado pelo rapper Emicida aborda com leveza a herança cultural afro-brasileira e seu vasto legado.
Alan Fernandes.
Entre idas e vindas no tempo, o documentário da Netflix “Emicida: AmarElo – É Tudo Pra Ontem” traça com exímia fluidez diversos paralelos entre o presente e o passado, focando na luta de personalidades negras que com muita coragem e determinação abriram caminho para as futuras gerações. Seguindo essa abordagem, o estreante na direção, Fred Ouro Preto, adota uma estrutura narrativa não linear e fragmentada que visa sobretudo explicar o fenômeno que culminou no show do rapper Emicida em 2019 no Theatro Municipal de São Paulo – espaço majestoso frequentado majoritariamente pela elite branca paulistana, muito embora construído e arquitetado por pessoas pretas convenientemente apagadas da nossa história.
A trama formalmente recorre a um modelo dividido em três atos, batizados pela obra como Plantar, Regar e Colher, que atendem ao propósito de organizar as sequências que alternam entre breves animações meramente ilustrativas, imagens de arquivo de acontecimentos históricos, cenas dos bastidores em estúdio e a gravação da apresentação do músico no teatro. Tudo devidamente amarrado pela narração de Emicida que, apesar de se tornar famoso justamente por travar intensos duelos contra outros MCs, finalmente apresenta sua faceta serena e conciliadora, guiando o público rumo a um intenso e emocionante resgate da cultura negra brasileira, cujas raízes são muito mais profundas do que a maioria de nós sequer imagina.
Embora falte ousadia e uma maior inspiração por parte da direção, um tanto quanto formulaica demais para a proposta do documentário, o ritmo da montagem e edição tornam a experiência em geral consistente e prazerosa. Além disso, o texto nunca se perde em divagações desnecessárias ou incluídas à toa de modo abrupto. Cada linha de diálogo possui seu devido propósito e contexto, movendo a trama sempre adiante. Também há um minucioso trabalho de pesquisa, no qual muitos dos fatos apresentados se conectam de maneira bastante orgânica, apesar de inicialmente soarem dissonantes. Um bom exemplo disso é a inusitada correlação que o filme sugere entre o recente surto de COVID-19 com o surgimento do grupo musical Oito Batutas, formado em meio à pandemia da Gripe Espanhola, em 1919.
Como um prisma que absorve luz branca e a converte em todas as demais cores, a fotografia do longa-metragem utiliza imagens em preto e branco, cuja cor branca é levemente acentuada, para retratar acontecimentos do passado em contraponto a uma paleta de cores variadas e vibrantes ao se referir ao presente. Assim se denota um certo otimismo e fé que o amanhã será melhor que ontem, ou para além disso, propondo que só é possível corrigir os erros do passado olhando para o agora.
A trilha sonora é composta inteiramente por músicas do profético álbum “AmarElo”, justificando assim parte do título da produção. Em vez de somente ambientar, as canções cumprem o papel essencial de conduzir a narrativa, ditando os temas de cada segmento e colaborando na conclusão dos arcos de 4 maneira catártica. Assim como a narração que passeia sem pudor entre diferentes períodos, os ritmos musicais também aderem a tal proposta, mesclando rap e samba e batizando o resultado de neo-samba, uma vez que, segundo o narrador, os antigos sambistas já tocavam algo semelhante ao rap muito antes do gênero ser criado nas periferias estadunidenses, algo bem emblemático que reforça ainda mais o sentido da obra.
Imprescindível, o documentário “Emicida: AmarElo – É Tudo Pra Ontem” é um valioso registro histórico sobre a negritude e seus impactos na cultura brasileira. Transitando entre épocas diferentes, a narração ágil aliada à edição fluída obtém êxito tanto em informar quanto em emocionar o público. Possivelmente, até aqueles que pouco ou nada sabem sobre o álbum que dá título à obra. De antigos artistas negros à Emicida, o filme condensa mais de cem anos de história em cerca de 90 minutos, culminando finalmente no apoteótico show do rapper que, em alto e bom som, convida todos a refletirem sobre o agora, para que o passado nunca mais volte a ser o amanhã.
Disponível em:https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/593013/critica-emicida-amarelo-e-tudo-pra-ontem-netflix-2020-imprescindivel/ . Acesso em: 18 jan. 2021.
1. Ao escolher esse gênero textual, o autor do texto objetivou
a) construir uma análise irônica do documentário.
b) evidenciar argumentos contrários ao documentário do rapper Emicida.
c) elaborar uma narrativa com descrição de tipos literários.
d) apresentar ao leitor um panorama da obra e se posicionar criticamente.
2. Que informações o leitor pode obter a partir da leitura do texto?
3. Segundo Alan Fernandes, quais são os pontos negativos de “Emicida: AmarElo – É Tudo Pra Ontem”? E os positivos?
4. Em várias passagens do texto, a opinião do autor é sugerida pelo uso que faz de palavras e expressões. Transcreva pelo menos um trecho. Qual a importância, para os leitores, da opinião pessoal do autor em um texto como esse?
5. Como pode ser interpretado o título do texto?
domingo, 14 de março de 2021
Avaliação diagnóstica
Período de 15/03 a 26/03
Aplicação para estudantes matriculados do 9º ano do Ensino Fundamental ao 3° ano do Ensino Médio (regular) e estudantes da EJA Médio.
Importante: estudantes que já conseguirem acessar os testes a partir do dia 15/03, preferência finalizar até o dia 19/03 para evitar sobrecarga do sistema.
Saiba mais acessando ao vídeo
sexta-feira, 12 de março de 2021
quinta-feira, 11 de março de 2021
quarta-feira, 10 de março de 2021
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